Curso sobre Bauman discute o espaço público na "modernidade líquida"

1 Nov 2017

Primeira atividade do Projeto Diálogos, o curso "O pensamento de Zygmunt Bauman e o campo da fenomenologia da comunicação", ministrado pelo professor Pierre-Antoine Chardel, da Universidade de Paris V (Sorbonne-Descartes) ocorreu entre os dias 3 e 6 de novembro.

 

O curso discutiu a obra do sociólogo polonês radicado na Inglaterra, abordando os temas caros ao pensador, como o da "sociedade vigiada", da "bulimia informacional" e da "modernidade líquida". Autor de uma obra recentemente lançada, na França, sobre o pensamento de Bauman, o professor Chardel é um dos grandes especialistas no autor, na Europa. Seu livro, intitulado "Zygmunt Bauman: Les illusions perdues de la modernité" foi lançado pelo Centre National de Recherche Scientifique (CNRS) em 2013.

 

O tema de fundo do curso foi a relação entre as novas tecnologias de comunicação, sobretudo as redes digitais, e o espaço público, nas sociedades contemporâneas. Bauman compreende que o mundo atual é atravessado por um paradoxo importante: quanto mais as sociedades se tornam tecnológicas e, pretensamente, se intensificam as relações sociais, mais se observam fenômenos de distanciamento entre as pessoas. Desse paradoxo surgem efeitos de desterritorialização e de estranhamento que marcariam as sociedades atuais com essa liquidez de que fala o autor.

 

Autor referencial para a compreensão da alteridade, Bauman emprega a metáfora da « liquidez » para referir o fato de que, na nossa sociedade, toda uma economia dos afetos se organiza em torno da vaorização daquilo que « não dura », por exemplo a obsolecência programada dos objetos, que se tornam fúteis e superados incessantemente, diante do desejo de consumo. Os sujeitos modernos seriam, assim, predispostos a viver numa situacão de mudança permanente : « no estado líquido nada tem forma fixa e tudo pode mudar », diz Bauman.

 

O professor Chardel discutiu aspectos metodológicos da abordagem feita por Bauman para responder a essa e a outras questões, destacando seu diálogo com a obra do filósofo Emmanuel Lévinas e com o campo da fenomenologia.

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