Carta Aberta dos Discentes do PPGCom

1 Nov 2017

 Publicado originalmente em 11 de novembro de 2016

Nós, discentes do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCom) da Universidade Federal do Pará (UFPa), deliberamos através de votação em assembleia ocorrida no último dia 08/11/2016, por maioria simples, nos posicionar a favor e aderir ao movimento de ocupação deflagrado pelos estudantes da instituição. Estamos em sintonia com a organização da mobilização e, em caráter extraordinário, deliberamos fortalecer a ocupação e suspender as aulas do programa por tempo indeterminado.

O PPGCom está hoje situado dentre os três programas de pós-graduação em Comunicação ofertados por instituições públicas na Amazônia. O único no estado do Pará. Portanto, responsável por atender uma demanda crescente no cenário local, bem como nos diversos estados vizinhos. Nós, enquanto estudantes de um programa de pós-graduação que está inserido nesse contexto, nos sentimos profundamente afetados e prejudicados com que o governo Temer qualifica como "contenção de gastos". Ora, numa perspectiva racional, qualquer recurso destinado à educação seria visto como investimento, algo que trará retorno a curto e médio prazo, e não apenas um gasto como outro qualquer. Entre os possíveis impactos que incidirão diretamente sobre a pós-graduação, estão a limitação e até mesmo o corte de bolsas de ensino e pesquisa. Estes atrasos afetarão diretamente a qualificação do PPGCom e tornarão ainda mais difíceis que o programa consiga pleitear, em um futuro próximo, a oferta de curso de doutorado, que seria o primeiro desta modalidade, totalmente público, de toda Região Norte. Além de claramente preocupante, este cenário mina um esforço coletivo da coordenação, dos professores e dos alunos do programa, que tentam alcançar uma qualificação alta o suficiente para tornar o PPGCom apto ao doutorado há alguns anos.

Compreendemos que estamos vivendo um momento crítico e decisivo dentro da conjuntura política nacional. Os retrocessos promovidos pelo governo Temer, suas medidas abusivas, anti-democráticas e nocivas, tomadas sem participação popular alguma, configuram-se como uma ofensa grave ao funcionamento e a manutenção do estado democrático de direito.  A PEC 55, antiga 241, é apenas a cara limpa e escancarada de um plano de governo que não se envergonha de mostrar a que veio: a intenção é precarizar, o máximo possível, áreas essenciais, como saúde e educação, com objetivos escusos que apenas vislumbramos, mas que apontam, provavelmente, para uma onda de privatizações que afetará a nossa geração e as gerações futuras de forma irremediável.

 

Encaramos que lutar contra a proposta de emenda constitucional 55 é nosso dever enquanto estudantes universitários, pesquisadores em Comunicação e cidadãos brasileiros. Se há a tentativa de empurrar algo com a gravidade da PEC 55 de forma impositiva, sem participação popular e amplo debate, é extremamente necessário que haja um movimento de contrafluxo que responda à altura e busque frear esta ação irresponsável. Neste contexto, encaramos que as ocupações se apresentam como uma alternativa de resistência e enfrentamento político claro, pois subvertem a lógica do poder e dos discursos hegemônicos.
 

Dentro das ocupações, espaços são ressignificados, o pensamento crítico é valorizado, trocas e compartilhamentos de saberes são estimulados, a próprio conceito de aula é rediscutido. Mais do que criar ambientes ociosos, nós, enquanto discentes do PPGCom, nos disponibilizamos a somar com a organização do #ocupaUFPa e discutir estratégias para que o momento seja de luta, mas que também seja um tempo produtivo no sentido de agregar conhecimento e enriquecer, com uma experiência única, quem se dispuser a participar ou visitar a ocupação.
 

Por fim, gostaríamos de deixar nosso repúdio e nossa indignação à cobertura que a grande mídia nacional, em sua totalidade, tem dado às ocupações que se estendem por todo país. Para nós, é um contra-senso profissionais que deveriam prezar por valores básicos, como a ética profissional, o compromisso com a imparcialidade e com o bem coletivo, usarem seus espaços de fala para deslegitimar, invisibilizar ou criminalizar movimentos legítimos e retirar dos estudantes o protagonismo de suas lutas. Como parte da democracia, dar direito ao contraditório, em tempo igual e no mesmo espaço, é uma prática que deveria ser mais comum do que realmente é. É lamentável, portanto, que a grande mídia, no que diz respeito às ocupações, não cumpra seu propósito e não respeite os interesses de quem deveria respeitar. 
 

Os desafios postos são muitos, a batalha é árdua, as barreiras são várias, mas juntos acreditamos que podemos fortalecer a ocupação e dar nossa contribuição a este momento tão delicado, mas também tão necessário.

 

Estamos prontos. Sigamos.
 

Assinam está carta:
 

1 - Tiago Júlio de Farias Martins

2 - Adriana do Socorro Campos Lira

3 - Ana Paula de Mesquita Azevedo

4 - Ana Caroliny do Nascimento Pinho

5 - Larissa Pereira Santos

6 - Mariana Costa Castro

7 - Natália Cristina Rodrigues Pereira

8 - Raoni Lourenço Arraes

9 - Rebeca dos Santos Lima

10 -Rodrigo Wallace Cordeiro dos Santos

11 - Rosa de Fátima de Souza Cardoso

12 - Tarcizio Pereira Macedo

13 - Thais Christina Coelho Siqueira

14- Victor Lopes de Souza

15 - Marcelo José Mendes da Silva
16 - Luciana Gouvêa Hage de Castro

17 - Elaynia Ono

18 - Lídia Karolina de Sousa Rodarte

19 – Lorena de Meira Rodriguez

20 - Jússia Carvalho da Silva Ventura

21 - Camille Nascimento da Silva

22 - Aline Meriane do Carmo de Freitas

23 - Hans Cleyton Passos da Costa

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